Em 4 de julho de 2025, uma operação conjunta entre a Polícia Militar de Meio Ambiente e fiscais do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) flagrou um matadouro clandestino em funcionamento no município de Ervália, na Zona da Mata mineira. A ação foi motivada por denúncias repassadas pela Ouvidoria-Geral do Estado de Minas Gerais e revelou um cenário de graves irregularidades ambientais e sanitárias.
Ao chegarem ao local, os agentes avistaram um indivíduo que fugiu ao perceber a aproximação da fiscalização. No interior do imóvel, foram encontradas carcaças de bovinos com sinais de abate cruel, vísceras espalhadas pelo chão, baldes com sangue recente e carnes penduradas fora da câmara fria, expostas à temperatura ambiente. Uma marreta de grande porte foi localizada na área de abate, indicando o uso de método proibido e violento, em desacordo com a legislação vigente. Também foi identificada uma caminhonete com motor quente e vestígios de sangue na carroceria, sugerindo transporte recente e irregular de carne.
O sistema de tratamento de dejetos era ineficaz e lançava efluentes poluídos diretamente no solo e em um córrego próximo, agravando o dano ambiental. Um dos sócios do empreendimento compareceu posteriormente ao local, apresentando um equipamento insensibilizador com defeito e admitindo que a marreta foi utilizada por conta da falha no aparelho. Ele também não possuía licença ambiental válida, apenas uma certidão de dispensa que não abrangia a atividade desenvolvida.
Foram aplicadas multas que somam R$ 503.321,00, baseadas no Decreto Estadual nº 47.383/2018, e o caso foi encaminhado à Polícia Civil e ao Ministério Público. A fiscalização constatou indícios de crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais, incluindo maus-tratos a animais, poluição, obstrução da fiscalização e falsidade documental. Até o encerramento da ocorrência, os demais envolvidos não haviam sido localizados.
