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Na gestão da reitora, o professor Márcio será o coordenador técnico da RIDESA

A reitora Nilda de Fátima Ferreira Soares é a nova presidente da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (RIDESA). Ela assumiu o cargo no dia 21 de junho, em uma reunião na Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Desde dezembro de 2013, a professora Nilda já vinha ocupando a vice-presidência da Rede, que é formada por um convênio de cooperação técnica entre 10 universidades federais e exemplo de parceria público-privada que vem dando certo no país. Trata-se de um programa institucional de pesquisa, desenvolvimento e inovação com foco na área de melhoramento genético de cana-de-açúcar.

Criada, em 1990, a RIDESA é o principal núcleo de pesquisa canavieira no âmbito do governo federal e sempre foi presidida por um reitor das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) que a integram. Atualmente, além da UFV, a Rede é composta pelas universidades federais de Alagoas (UFAL), Pernambuco (UFRPE), Piauí (UFPI), Sergipe (UFS), Paraná (UFPR), Mato Grosso (UFMT), Goiás (UFG), São Carlos (UFSCar) e Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

A UFV é a única que atua em Minas Gerais representando a RIDESA, que tem como ponto forte a parceria com usinas e destilarias nos estados onde são conduzidos os experimentos de competição de clones de cana-de-açúcar. A Universidade Federal de Viçosa, que coordena os experimentos em Minas, já liberou cinco cultivares, todas protegidas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: RB867515, RB928064, RB937570, RB988082 e RB987935. Para se ter uma ideia da importância das pesquisas realizadas na UFV, a variedade RB867515 é, atualmente, a mais plantada no Brasil – mais de 2,5 milhões de hectares cultivados – e no mundo. 

Todas essas variedades foram desenvolvidas dentro do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar (PMGCA), vinculado ao Departamento de Fitotecnia da Universidade e coordenado pelo professor Márcio Henrique Pereira Barbosa, que, na gestão da professora Nilda, assumirá a coordenação técnica da RIDESA. Durante dois anos, ele coordenará todas as ações para organização dos experimentos e planejamentos de cruzamentos da rede de pesquisa em nível nacional.

Vale destacar que a sigla RB ((República do Brasil) define a nomenclatura das variedades da RIDESA e é registrada no Germplasm Committee of International Society of Sugar Cane Technologists (ISSCT). A numeração é seguida do ano de cruzamento e posteriormente do código referente à universidade, que representa o local de seleção da variedade.

Satisfação
Para a reitora Nilda Soares, é uma “honra muito grande dirigir o conjunto de universidades que compõem a RIDESA e, ao mesmo tempo, um desafio”, em função, por exemplo, da necessidade de se ampliar o quadro de técnicos administrativos para apoiar as pesquisas realizadas nas universidades e de se buscar uma rede de financiamento para elas. Essas são duas frentes que a reitora pretende enfatizar durante a sua gestão.

O professor Márcio Barbosa se disse “muito feliz” com o fato de a professora Nilda ter assumido a presidência da Rede: “isso mostra o comprometimento dos reitores em apoiar este importante projeto das universidades”. Em sua avaliação, “a reitora conhece há muito tempo o trabalho da RIDESA e sabe da importância que ele tem para a UFV, não somente pelos resultados já alcançados, mas especialmente pelo fato de este projeto de pesquisa e os recursos financeiros provenientes dele se constituírem uma importante base para formação dos recursos humanos e melhoria na qualidade do ensino da Universidade”.

Em sua opinião, participar de uma rede de pesquisa em nível nacional potencializa muito o desenvolvimento do projeto em cada universidade: “há constante intercâmbio de material genético dentro da Rede e isso permite potencializar muito a identificação de novas variedades que apresentam maior estabilidade de produção e maior produtividade”. O professor explica que desenvolver uma nova variedade não é tarefa trivial: “exige-se muita persistência e muito trabalho para a colheita de experimentos conduzidos, em sua maior parte, nas terras das usinas e destilarias”. Mas, pelos resultados, o esforço vale a pena.

Segundo o novo coordenador técnico da RIDESA, desde o início das atividades da Rede, foram lançadas 75 variedades que, atualmente, representam 75% da área total cultivada de cana-de-açúcar no Brasil. A última liberação de cultivares aconteceu em 2015. A próxima, em nível nacional, está prevista para 2020. Antes, porém, deverão haver algumas liberações regionais. Para que isso aconteça, as universidades mantêm contrato de parceria com mais de 300 empresas, produtoras de cana, açúcar, etanol e bioletrecidade. Além disso, contam, atualmente, com uma equipe multidisciplinar, que envolve cerca de 250 profissionais, de professores e técnicos a estudantes de graduação e pós-graduação.

Um pouco da história
A RIDESA surgiu a partir do trabalho realizado pelo Plano Nacional de Melhoramento da Cana-de-açúcar (Planalsucar), vinculado ao Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). A iniciativa, criada na década de 1970, foi extinta no governo do ex-presidente Fernando Collor de Melo. A história de quase 20 anos de contribuição ao setor canavieiro resultou na liberação de 19 variedades. Apesar do número significativo, ele é bastante inferior, se comparado ao que foi liberado em 26 anos da Rede Interuniversitária. Isso demonstra, na opinião do professor Márcio, a força das universidades e do pessoal técnico envolvido no projeto. “A união faz a força e este provérbio se aplica muito bem à RIDESA”.

Nos próximos dois anos, a reitora Nilda Soares dividirá a gestão da Rede com Orlando Afonso Valle do Amaral, reitor da Universidade Federal de Goiás, que assumiu a vice-presidência da RIDESA.

Fonte:Site UFV

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