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f88dd80b-31c3-4b10-a351-055d6b3d5f71Gestores das três instituições concederam entrevista coletiva conjunta
A Prefeitura de Viçosa, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) realizaram, na tarde da última segunda-feira (16), no auditório do SAAE, uma coletiva de imprensa para esclarecimentos e divulgação de ações tomadas pelas três instituições no propósito de mitigar as dificuldades de manutenção do abastecimento diante da crise hídrica provocada pela escassez de chuvas.
O prefeito Ângelo Chequer abriu a coletiva fazendo um apanhado geral sobre as medidas que foram adotadas no ano passado durante a crise, mais precisamente em outubro, quando o Município, em uma atitude inédita, decretou estado de emergência, instituiu o plano de contingência, criou a comissão de acompanhamento da crise hídrica e aprovou uma Lei Municipal que tornou mais severa a punição para pessoas que praticam uso indevido ou desperdício de água. Para ele, “não é justo que todo ano a população sofra com sanções devido à falta d’água, foi por isso que a administração municipal, junto com o SAAE, se somou à UFV para buscar soluções conjuntas e permanentes para que Viçosa consiga manter o abastecimento dentro da normalidade durante os meses em que as chuvas são raras”, enfatizou.
Reforçando a fala do prefeito, o diretor-presidente do SAAE, Rodrigo Bicalho, declarou que 85% das metas do plano de contingência já foram cumpridas e destacou ainda avanço das principais. Antes ele lembrou que o plano de ações foi criado para reverter ou minimizar a problemática de um contexto de frequentes períodos de escassez de chuvas, restrita capacidade de armazenamento de água e deficiência na dinâmica de distribuição da água.
“A realidade é que não houve, nos últimos 24 anos, qualquer investimento nas estações de tratamento de água da cidade e na capacidade de armazenamento. Chegamos a uma situação em que as obras necessárias são complexas e demandam grandes investimentos”, salientou o presidente do SAAE.
DISTRIBUIÇÃO
Já sobre as ações previstas no plano, Bicalho citou a obra de construção de uma adutora que interligou a estação de tratamento de água da Violeira (ETA II) à rede que abastece o centro da cidade, promovendo a equalização da pressão no sistema de distribuição e facilitando a chegada da água em bairros altos. Ele explicou que a ETA II abastece principalmente a zona norte da cidade, porém, o Rio Turvo – de onde essa estação capta água para tratamento – possui vazão abundante, sendo capaz de abastecer toda a cidade. “O objetivo da interligação foi aproveitar melhor a capacidade desse afluente, que mesmo em períodos de seca, se comporta relativamente estável se comparado ao ribeirão São Bartolomeu, que abastece o centro, a zona sul e os bairros altos”, esclareceu o presidente da Autarquia.
RESERVA
Outro anúncio transmitido à imprensa foi a conclusão dos estudos feitos pelo SAAE para a ampliação da capacidade de reserva de água no município. Foi feito um estudo topográfico que apontou algumas áreas potencialmente apropriadas para construção de novas represas, cujas localizações a Autarquia preferiu não divulgar no momento. Segundo Bicalho, o SAAE almeja, com a construção das novas represas, um aumento da capacidade de reserva dos atuais 149 milhões de litros para 225 milhões de litros de água.
Somente o projeto de construção das barragens e licenciamento ambiental foi estimado em 290 mil reais. Contudo, atendendo a um pedido da Administração Municipal, a UFV se comprometeu a avaliar a possibilidade de utilizar seu corpo técnico para elaborar o projeto e doá-lo ao Município, que ficaria por conta da construção das represas.
 
TRATAMENTO
O Município já avançou também no projeto de reforma e ampliação da ETA II, que visa um melhor aproveitamento da abundante oferta de água do Rio Turvo. A proposta é ampliar a capacidade de tratamento dessa estação de 100 litros por segundo (l/s) para 220 litros por segundo (l/s) com substituição de equipamentos e construção de novas instalações. A obra foi orçada em 2,3 milhões de reais e a previsão é que as alterações sejam concluídas antes do segundo quadrimestre de trimestre de 2017.
Outras metas já cumpridas também foram citadas, como a troca das bombas de pressão de várias estações elevatórias nas entradas dos bairro e a construção de uma subestação de energia na ETA I, garantindo o funcionamento das bombas que mantém a distribuição de água nos bairros altos.
 
ECONOMIA E CONSCIENTIZAÇÃO
Desde outubro do ano passado o SAAE vem divulgando campanhas informativas e de conscientização pelo consumo consciente da água; além de investir no melhoramento dos plantões telefônicos e de fiscalização.
O próprio decreto de estado de emergência, ainda em vigência, estabeleceu sanções e proibiu atividades que envolvem o consumo elevado de água fornecida pelo Autarquia.
Outra medida é o rodízio de abastecimento de 24 horas por semana, que contribuiu muito na economia de água durante os períodos de ausência de chuvas. Por isso o rodízio voltará a acontecer a partir desta semana, de acordo com o cronograma disponibilizado no site do SAAE.
AÇÕES DA UFV
A pró-reitora de Administração, Leiza Granzinolli, reforçou a importância da parceria entre cidade e Universidade: “é assim que conseguimos enfrentar os desafios”. Ela comentou que a instituição, que tem uma estação de tratamento própria (ETA UFV) e capta água do ribeirão São Bartolomeu, considera a recuperação das bacias hidrográficas como ação principal e urgente. De acordo com a pró-reitora, a cidade e a Universidade podem investir em ações de curto, médio e longo prazo para garantir o abastecimento de água, mas, sem a recuperação das bacias hidrográficas, não haverá investimento capaz de resolver a crise hídrica. “É isso que devemos focar e não perder de vista”, disse, lembrando que a Universidade está disponível para contribuir com conhecimentos, pesquisas e projetos; mas precisa da parceria da cidade.
O engenheiro ambiental da Divisão de Água e Esgoto, João Francisco Pimenta, também participou da reunião mostrando que, desde 2014, a precipitação das chuvas na cidade ficou abaixo da média histórica, o que influenciou a disponibilidade de água nos mananciais municipais, principalmente no ribeirão São Bartolomeu, que já sofre com a retirada de cobertura vegetal, urbanização e compactação do solo, entre outros fatores.
A Universidade vem investindo na gestão dos recursos hídricos em seu campus, com ações de monitoramento de vazões do ribeirão e do consumo de água. Ela realizou, por exemplo, o rodízio de abastecimento e melhorias em sua estação de tratamento; adquiriu e instalou equipamentos mais eficientes, como purificadores, novas torneiras e válvulas de descarga; suspendeu atividades que envolvem o consumo elevado de água, como as do Hotel e da piscina; encerrou as atividades da lavanderia; reduziu o horário de atendimento da Biblioteca Central e do Restaurante Universitário, que recebem grandes quantidades de estudantes diariamente; utilizou água não tratada e das chuvas e reutilizou águas cinzas quando possível; adequou as novas edificações para reuso da água; desenvolveu projetos para tratamento de efluentes, possibilitando a utilização de novos pontos de captação e o aumento a capacidade de reserva; buscou fontes alternativas, como poços e caminhões-pipa, além de divulgar campanha informativa e de conscientização, entre outras ações.
Com essas ações e o envolvimento da comunidade universitária, a UFV diminuiu seu consumo de água, mesmo que o número de pessoas que frequentam o campus tenha aumentado. A média anual, em 2013, era de 16 litros por segundo e passou para 15,2 l/s, em 2014; 12,2 l/s, em 2015, e 13 l/s, até agora, em 2016.
Os desafios, como a pró-reitora e o engenheiro ambiental disseram, ainda são muitos e estão em andamento – incluindo a construção de uma unidade de tratamento de resíduos e reuso da água na ETA UFV. O fato de diversos setores da Universidade não possuírem reservatórios próprios, por exemplo, é um agravante e, por isso, a instituição não pode realizar um rodízio de abastecimento maior, como o do Saae. Porém, ele também será adotado novamente a partir da próxima semana.
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Também participaram do encontro todos os membros do comitê de acompanhamento da crise hídrica, entre eles o secretário de Governo, Luciano Piovesan; o coordenador da Defesa Civil do Município, Rodrigo Cardoso e o chefe da Divisão de Logística da UFV, Belmiro Zamperlini; além do diretor de Manutenção de Estruturas Urbanas e Meio Ambiente da UFV Jefferson Fontes e o diretor de Resíduos da UFV, Ulisses Comini.
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Na foto, o diretor do SAAE, o prefeito de Viçosa e a pró-reitora de administração da UFV durante entrevista coletiva à imprensa.
BAIXE A ESCALA DE RACIONAMENTO:
 
Assessoria de Imprensa da Prefeitura
Assessoria de Comunicação do SAAE
Divisão de Jornalismo da UFV

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