Compatilhe esta publicação:

Twitter Facebook Google+

CNH Esquema (1)MANHUAÇU (MG) – Após meses investigações, a Polícia Civil prendeu nessa segunda-feira (29) cinco integrantes da corporação suspeitos de integrar uma quadrilha de venda de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs). Além dos agentes, outras sete pessoas foram detidas. A operação, batizada de Ovelha Negra, aconteceu simultaneamente em 11 cidades mineiras. Pelo menos quatro autoescolas da região de Manhuaçu, foram fechadas, e seus proprietários, conduzidos à delegacia.

Cada carteira chegava a custar R$ 7.000, e a suspeita é que o policial entrava no sistema eletrônico e lançava o nome do candidato como aprovado. No total, conforme a corporação, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e 12 de prisão.

Segundo o delegado regional adjunto de Ponte Nova, Wallace Drey Soares, o deslocamento de candidatos e motoristas entre cidades para realizar exames de legislação chamou atenção da corporação. “Pessoas de Abre Campo (na Zona da Mata) realizavam exames em Belo Horizonte (a uma distância aproximada de 225 km). Começamos a juntar as peças e percebemos que essas pessoas estavam sendo aliciadas”, informou Soares. Além disso, os supostos candidatos, geralmente, tinham um histórico de reprovação em exames de circulação e baliza.

O delegado relatou que os compradores pagavam cerca de R$ 3.500 pela prova de legislação e outros R$ 3.500 pelo exame de rua. No primeiro caso, eles recebiam os testes com os gabaritos; já na parte prática, muitos nem compareciam. “Praticamente ninguém chegava a fazer o exame (de rua). O policial lançava no sistema”, explicou o investigador.

A corporação ainda investiga quanto desse valor de R$ 7.000 era direcionado ao policial e ao dono ou funcionário das autoescolas. “Até um analfabeto foi identificado com carteira”, detalhou o investigador.

Investigação

Para chegar aos agentes detidos, a polícia começou interrogando suspeitos de comprar as CNHs. Em pouco mais de um mês, a corporação conseguiu chegar a alguns nomes e pedir mandados de prisão e de busca e apreensão. “Tomaram R$ 14 mil de uma candidata muito humilde. Ela teria sido iludida nesse processo”, afirmou.

O delegado adjunto não soube precisar há quanto tempo funcionava o esquema nem quanto os envolvidos faturaram, mas relatou que essas questões serão investigadas. Ele garantiu ainda que nessa segunda-feira (29) foi apenas o princípio da operação Ovelha Negra, e proprietários de autoescolas já foram ouvidos pelos delegados do caso.

Se os crimes forem comprovados, os policiais civis vão responder a um processo administrativo conduzido pela corregedoria da corporação. Eles podem ser excluídos dos quadros da polícia. Além disso, os cinco suspeitos responderão na Justiça comum por crimes como corrupção passiva, associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e peculato eletrônico, conforme a polícia.

Cidades envolvidas no esquema

Na região do Caparaó:

Abre Campo

Luisburgo

Manhuaçu

Matipó

Ponte Nova

Raul Soares

Rio Casca

Santa Margarida

Sericita

Pedra Bonita

Na região metropolitana:

Ibirité.

Detran deve cancelar mais de 200 documentos fraudulentos

A Polícia Civil acredita que existam mais de 200 Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) obtidas de maneira fraudulenta no Estado. Todos esses documentos serão cancelados e recolhidos, conforme o delegado regional adjunto de Ponte Nova, Wallace Drey Soares.

Além de perderem as carteiras, pessoas que compraram o direito de dirigir podem responder criminalmente como coautoras de corrupção ativa. Para Soares, um exame cuidadoso do sistema do Detran pode identificar candidatos que pagaram pela CNH em vez de se submeterem aos exames.

O policial acredita, entretanto, que esse número deve ser maior. “Em Manhuaçu, na Zona da Mata, a situação era gritante”, informou Soares no início da noite dessa segunda-feira (29), após interrogatórios de detidos.

A operação da Polícia Civil foi batizada como Ovelha Negra em referência aos policiais civis envolvidos no esquema em 11 cidades mineiras. (AD)

Operações devem ser constantes

Presidente do Sindicato dos Proprietários de Centros de Formação de Condutores do Estado de Minas Gerais (SiproCFC-MG), Alessandro Dias avalia como positiva a operação da Polícia Civil e acredita que as ações dessa segunda-feira (29) devem ser realizadas de maneira recorrente para coibir esse tipo de crime. “Isso (a venda de carteiras) entristece a categoria que tem o compromisso com a atividade”, disse.

Segundo ele, o sindicato repudia atividades ilícitas e aconselha os donos de autoescolas com relação a isso. “O Detran (Departamento de Trânsito de Minas Gerais) modernizou o processo para reduzir fraudes. Os responsáveis têm que observar para quem liberam o acesso (ao sistema)”, explicou. Dias aconselha que o proprietário acompanhe a emissão de certificados digitais da autoescola e observe o comportamento de funcionários, principalmente no local de exames. “Há relatos de profissionais que aliciam nessas áreas”, informou.

Fonte: Jornal O Tempo

Comentários