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Mate-me…

Pare o corpo que caminha sem alma.

Silencie o coração que bate sem sentir.

Por favor, encerre meu sofrimento…

 

Uma existência vazia é o que tenho vivido,

E esse é o pior dos tormentos…

Todos que toco se afastam e o que tento amar me desaponta.

 

Arrasto-me pelo mundo, encenando…

Representando um papel, nos tablados da vida.

E tudo parece perfeito…

 

Na solidão descubro os buracos

Vazios impossíveis de preencher.

 

Corro de um lado pro outro, clamo imploro e suplico.

A saída não vem, fujo do mundo, na vã tentativa de fugir de mim

Mas não importa aonde eu vá, sempre estou comigo.

 

Essa coisa, essa criatura que me tornei.

Me acompanha, persegue, vigia…

Projeta sua sombra por trás de meus passos

Mostra  seu reflexo em meu espelho.

 

Não vejo escape

E chorando eu te peço

Mate- me

Por favor, mate-me…

Não tenho coragem, e nem covardia para fazer por mim mesmo.

Liberte-me

Permita-me algo melhor

 

Mas não tire toda vida que há em mim

Encere só essa vida, essa vida que estou vivendo…

Parece inexplicável o crescente número de suicídios no Brasil e no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, nosso país apresenta aproximadamente onze mil casos de morte por suicídio registrados anualmente.

Diante desses números ficam as questões. Porque tantas pessoas tem tirado a própria vida? Como identificar se alguém que conheço tem tendências suicidas? O que posso fazer para ajudar?

O presente texto não se propõe a esgotar essa questão, dada à complexidade do fenômeno suicídio, mas sim informar, a fim de que você leitor (a) possa identificar circunstâncias que venham a ser um sinal de alerta.

Vale ressaltar que nenhum dos sinais que enumerarei aqui é determinante para o ato suicida, contudo, devem inspirar atenção, especialmente se aparecem em conjunto.

-Preocupação com a própria morte

-falta de esperança,

-isolamento,

-verbalização do desejo suicida “a pessoa diz que vai morrer, gostaria de estar morto, que deixará todos em paz” e coisas do tipo.

-Perdas financeiras ou afetivas não elaboradas,

-quadros de depressão (especialmente a depressão grave) ou outros transtornos psiquiátricos,

-doenças crônicas incapacitantes ou degenerativas,

-baixa autoestima e sentimento de inadequação.

 

Esses são alguns dos sinais de alerta mais comuns, quero mais uma vez destacar que a presença de tais sinais não determina que alguém cometerá suicídio, mas pode indicar um sofrimento, que merece atenção e cuidado.

É comum que muitas pessoas julguem o comportamento “pré- suicídio” como frescura, falta de Deus ou besteira. Assumindo essa postura você só reconhecerá a dor do outro quando for tarde de mais para fazer algo a respeito.

O melhor a se fazer é demonstrar respeito pela pessoa, conversar sem julgamentos, acompanhar na busca de ajuda profissional e havendo perigo real, não deixe a pessoa sozinha, e tire de seu alcance armas, medicamentos ou demais substâncias que possam ser usadas para o ato suicida.

Busque os serviços de saúde como CAPS, hospitais e PSFs para maiores orientações de prevenção ao suicídio. Outro canal de grande valia é o 188 Centro de Valorização da Vida, atendimento gratuito e 24 horas com total sigilo.

Os versos escritos no início dessa publicação são um relato da dor de um jovem que teria cometido suicídio, a desesperança traduzia a condição dele, condição superada pelo apoio e tratamento. Hoje ele vive, trabalha e ama, não tiraria a própria vida.

Caso você que está lendo isso agora, já tenha pensado em se matar, quero que saiba, existe esperança para você, não desista de sua vida, busque ajuda, disque 188, você será ouvido, respeitado e orientado.

 

A vida é cheia de possibilidades, tudo pode mudar.

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